sábado, 7 de abril de 2012



Ela não sabia o que fazer. Pensava em muita coisa mas nada batia certo e isso só a fazia chorar mais. Tinha passado uma semana e ela continuara na cama, praticamente sem comer, nem beber, só aconchegada com os seus lençóis amarelos e os seus livros – os únicos que nunca a abandonaram. No telemóvel tinha umas quantas mensagens a ler, mas ela não se importara, afinal nenhuma era do teu número. Sempre lhe disseram que tudo não passava de uma simples paixoneta de escola, mas no fundo eu sei que ela não acreditava neles. Ela acreditava mesmo que vocês pudessem dar certo, podes ter a certeza disso. Enquanto todos diziam ‘esquece isso’ ela limitava-se a olhar para baixo, com uma madeixa de cabelo a tapar a sua cara rosada e dizia numa voz muito baixa ‘deixa-me, eu sei que ele não me esqueceu.’ Ela pensava todos os dias em ti, em como tu a fazias sorrir com as coisas mais parvas e principalmente no quão feliz a fazias. Ela contava-me as coisas. Eu sabia tudo sobre vocês e tinha a certeza disso. Sabes o peluche que lhe ofereceste? Ela não deixa ninguém tocar nele, talvez com medo que ele fique sem o teu cheiro. E a t’shirt? Todas as noites ela dorme agarrada a ela, com muita força. Ela anseia uma mensagem tua, a toda a hora ela espera isso. Sabias que o teu nome continua igual a como o deixas-te? Ela não consegue mudar. As vossas fotografias continuam espalhadas no seu quarto e quando se ouve o teu nome, ela vira-se logo na esperança de ser algo que lhe agrade. Ela continua à tua espera, tal como no dia em que a deixaste. Sabes, eu no fundo também acreditava em vocês, o que aconteceu?